NeuroStimulus

Método NeuroStimulus


O tratamento neurofuncional mais completo é aquele que reúne a prescrição das condutas mais adequadas ao diagnóstico e ao objetivo funcional de cada paciente, dando lhe uma chance real de habilitação ou reabilitação, consequentemente qualidade de vida. Como a própria Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional (ABRAFIN) defende em parecer técnico que o fisioterapeuta não é o profissional de uma técnica exclusiva.

Justamente por essa razão surgiu o NeuroStimulus: uma metodologia de atendimento com uso de software para habilitação e reabilitação neurofuncional. Uma equipe da clínica Neurofisio Intensiva de Presidente Prudente/SP sob o comando da fisioterapeuta Vanessa Macorini, pós-graduada em Reabilitação Neurológica Infantil pela Universidade de Campinas (UNICAMP) investigaram técnicas e equipamentos de tecnologia assistiva que são usados no tratamento dos distúrbios cinéticos funcionais e catalogaram os exercícios segundo sua indicação terapêutica. Para facilitar o uso da metodologia um software foi desenvolvido e o Instituto NeuroStimulus criado para dar sequência ao projeto em parceria com a clínica Neurofisio Intensiva.

A plataforma analisa os exercícios catalogados e as informações do paciente inseridas no sistema pelo terapeuta no momento da anamnese e da avaliação. No planejamento das sessões o software vai apresentar ao terapeuta os exercícios mais adequados aquele paciente independentemente de técnica; e de acordo com a sua necessidade e/ou objetivo funcional. Sua aplicação baseia-se em conceitos científicos, como: a neuroplasticidade cerebral, periodização e treinamento na habilitação e reabilitação, e na metacognição.

O método estabelece ainda a confecção de um plano de tratamento que deve ser apresentado ao paciente com objetivo funcional de curto, médio e longo prazo. Um teste relacionado ao objetivo é aplicado e gravado por meio de vídeo, que é anexado a plataforma. A aplicação do mesmo teste ao fim de cada ciclo possibilita aferir a evolução do paciente, promover um estudo comparativo - antes e depois por meio dos vídeos - gerando um histórico do paciente. Ou seja, documentação do atendimento, dados confiáveis para a devolutiva do paciente, possibilitando inclusive a produção científica. Esse método com o uso da tecnologia possibilita também uma melhor gestão do atendimento por parte do terapeuta responsável. Pois permite acompanhar o trabalho de toda equipe e a resposta de cada paciente, quase que em tempo real, dando segurança e uniformidade a assistência, além de diminuir os erros. Criando condições favoráveis para potencializar os resultados do tratamento.

Aplicação da Metodologia


Como apresentado, a aplicação do método NeuroStimulus se baseia em conceitos científicos como a neuroplasticidade cerebral, periodização e treinamento na habilitação e reabilitação, e metacognição.

NeuroStimulus
Tela principal do sistema.

O marco inicial é o diagnóstico médico do paciente. Cabendo na sequência ao fisioterapeuta e terapeuta ocupacional indicar seu diagnóstico neurofuncional por meio da anamnese e avaliação.

Anamnese


Por meio do software, o terapeuta realiza um levantamento de informações comuns a fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, o que inclui as características do ambiente e das pessoas que fazem parte da vida diária do paciente, os anseios diante do processo de habilitação e reabilitação; e o histórico de saúde dele, como: sinais vitais, prescrição médica, análise de exames e etc – o que chamamos de anamnese.

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Tela de cadastro de Anamnese.

Para Ramos e Casalis, 2007, “o trabalho em equipe multidisciplinar, objetiva obter, através de recursos terapêuticos existentes, metas precisas e realistas para cada paciente em um tempo definido, contadas nas diferentes etapas de sua reabilitação”.

Avaliação


A avaliação da fisioterapia dentro do método NeuroStimulus, por exemplo, reúne mais de uma centena de indicativos das áreas física, funcional, habilidades motoras, equilíbrio e marcha.

NeuroStimulus
Tela de exibição do resultado da avaliação.

Ao passo que a avaliação começa e havendo necessidade, o terapeuta deve aplicar testes para validar os dados observados.

NeuroStimulus

No caso da fisioterapia, o método NeuroStimulus orienta iniciar a avaliação com o exame físico do paciente, o que significa:

  1. inspeção: que é a observação das características físicas do paciente, como por exemplo: alterações da pele e neurodegenerativas; condições mentais, psíquicas, sensoriais e perceptivas; e curvaturas da coluna vertebral entre outros;
  2. palpação: que é verificar o tônus e trofismo musculares;
  3. reflexos: podem ser patológicos, como por exemplo: clônus, babinski, moro, extensão cruzada, preensão palmar e plantar, marcha automática etc e reflexos proprioceptivos, como por exemplo, biciptal, triciptal, estilo radial, aquileu e patelar;
  4. sensibilidade: identificar as sensações como dor, temperatura, tátil, pressão, esférografia, grafestesia;

Na etapa seguinte passa-se ao exame funcional, que envolve:

  1. medição da amplitude de movimento por meio de um goneômetro das principais articulações envolvidas nos membros que estão sendo avaliados. Com movimento de forma passiva, ativo assistido e ativo;
  2. força muscular: é feita a avaliação motora segundo a escala Asia, utilizada para graduar a força muscular que tem graduação de zero a cinco graus dos músculos dos principais grupos musculares além de testes como por exemplo: a manobra de braços estendidos e prova de queda com membros inferiores em abdução;
  3. teste de coordenação: são realizados como por exemplo index-index, prova de index-nariz, prova calcanhar joelho, prova de oposição de polegar e prova de rechaço;

Na terceira fase avalia-se as habilidades motoras nas seguintes posições: supina, prono, puxado para sentar, sentada, reação de proteção dos braços, reação labiríntica de retificação, gato, joelho, semi ajoelhado, levantar e em pé.

Na quarta fase avalia-se o equilíbrio estático e dinâmico do paciente sentado e em pé, impondo situações que levam ao desequilíbrio esperando sua reação.

Na quinta e última fase avalia-se a marcha do paciente, incluindo: o tipo de marcha segundo sua patologia (parética, espástica, atáxica, miopatias, lesões extrapiramidais e vestibular), observação das fases de apoio e balanço que o paciente realiza durante o passo, superfície que consegue deambular (estável ou instável) e se necessita ou não de auxílio para deambulação e qual está sendo utilizado.

Para MAGALHÃES, 2000, avaliação é “o processo de obter e interpretar dados necessários para compreender o indivíduo, o sistema ou a situação. Inclui o planejamento, a documentação do processo, os resultados, sua interpretação e as recomendações, incluindo a necessidade de intervenção e os resultados esperados com a mesma. Inclui uma variedade de procedimentos para coleta de dados, desde pesquisa de prontuários, entrevistas, observações e aplicação de testes específicos”.

Segundo o COFFITO, a terapia ocupacional é uma área do conhecimento, voltada aos estudos, à prevenção e ao tratamento de indivíduos portadores de alterações cognitivas, afetivas, perceptivas e psico-motoras, decorrentes ou não de distúrbios genéticos, traumáticos e/ou de doenças adquiridas, através da sistematização e utilização da atividade humana como base de desenvolvimento de projetos terapêuticos específicos, na atenção básica, média complexidade e alta complexidade.

Ainda segundo o Conselho é um profissional dotado de formação nas áreas de Saúde e Sociais. Sua intervenção compreende avaliar o cliente, buscando identificar alterações nas suas funções práxicas, considerando sua faixa etária e/ou desenvolvimento, sua formação pessoal, familiar e social. A base de suas ações compreende abordagens e/ou condutas fundamentadas em critérios avaliativos com eixo referencial pessoal, familiar, coletivo e social, coordenadas de acordo com o processo terapêutico implementado.

O terapeuta ocupacional compreende a atividade humana como um processo criativo, criador, lúdico, expressivo, evolutivo, produtivo e de auto manutenção e o Homem, como um ser práxico interferindo no cotidiano do usuário comprometido em suas funções práxicas objetivando alcançar uma melhor qualidade de vida. Avalia seu cliente para a obtenção do projeto terapêutico indicado; que deverá, resolutivamente, favorecer o desenvolvimento e/ou aprimoramento das capacidades psico-ocupacionais remanescentes e a melhoria do seu estado psicológico, social, laborativo e de lazer.

A avaliação da terapia ocupacional no método NeuroStimulus é composta:

  1. desempenho motor geral (controle de cervical, tronco, tônus, reflexos, trocas posturais, locomoção);
  2. função manual (alcance, tipo de preensão, solta ativa, dominância e postura);
  3. atividades da vida diária (alimentação, higiene, vestuário, locomoção e etc);
  4. atividade de vida prática, que são atividades do dia a dia mais complexas que incluem, por exemplo: cuidado com o outro, uso de equipamentos para comunicação, usos de transporte público, gerenciamento financeiro, preparo de refeições e limpeza;
  5. sociabilidade do paciente em suas relações interpessoais;
  6. comportamento emocional do paciente;
  7. sistema cognitivo que verifica se o paciente consegue compreender o que está sendo dito, se faz confusão, se tem atenção, memória, se toma decisão para resolução de problemas, orientação temporal, noção de quantidade, tamanho, noção espacial;
  8. sistema sensorial que inclui a estereognosia, que é a habilidade de reconhecer ou identificar a forma e os contornos dos objetos através do tato, a sensibilidade tátil, que verifica se o paciente tem sensibilidade superficial em várias partes do corpo e propriocepção;
  9. identificação sobre o uso ou a necessidade da utilização de tecnologia assistiva;

Conforme a lei 6.965/81 em seu parágrafo único do artigo primeiro, fonoaudiólogo é o profissional, com graduação plena em Fonoaudiologia, que atua em pesquisa, prevenção, avaliação e terapia fonoaudiológicas na área da comunicação oral e escrita, voz e audição, bem como em aperfeiçoamento dos padrões da fala e da voz.

A avaliação da fonoaudiologia do método NeuroStimulus visa investigar no paciente:

  1. problemas respiratórios como por exemplo, resfriados frequentes, problemas de garganta, asma e etc;
  2. qualidade e intercorrências do sono;
  3. alimentação no nascimento (peito/mamadeira) no decorrer com dificuldades em introduzir copos, sabores, consistências e alimentação atual;
  4. mastigação que envolve os tipos de alimentos, velocidade e a capacidade mastigatória;
  5. deglutição como por exemplo dificuldade, ruído, engasgos, escape anterior etc;
  6. hábitos orais como por exemplo uso de chupeta, sucção digital, cigarro, bruxismo;
  7. hábitos de postura, como por exemplo: protrair a mandíbula, apoio de mão na mandíbula e interpor lábio inferior;
  8. comunicação, como por exemplo, ausência de produção de sons quando bebe, demora ao falar e elaborar frases e dificuldades de compreensão;
  9. fala, como por exemplo, omissão, substituição, diminuição da amplitude do movimento mandibular;
  10. audição, como por exemplo, hipoacusia, otite, zumbido, tontura/vertigem;
  11. voz, como exemplo, rouquidão, fraqueza, afonia;
  12. escolaridade, como por exemplo, dificuldade escolar, falta de atenção/concentração, dificuldade de memória, dominância lateral;

Além das áreas terapêuticas, o método NeuroStimulus também investigou e individualizou os exercícios e seus estímulos oriundos dos equipamentos de tecnologia assistiva, sendo assim possível sugerir o mais indicados para cada característica de paciente.

Segundo MERSCH & TONOLLI, 2006, tecnologia assistiva é um termo ainda novo, utilizado para identificar todo o arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente promover vida independente e inclusão

O objetivo da tecnologia assistiva é auxiliar ou substituir uma função quando as técnicas reabilitadoras não são suficientes para resgatá-la em sua totalidade. (DE CARLO M.R.P et al).

Plano de Tratamento


O passo seguinte à anamnese e à avaliação é a elaboração do plano de tratamento do paciente. A Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional (ABRAFIN) em parecer diz que para um resultado mais satisfatório, é imprescindível o conhecimento técnico e científico do fisioterapeuta acerca da modalidade de intervenção (i.e. fisioterapeuta especialista em Fisioterapia Neurofuncional ou com grande experiência na área), objetivos claros e bem definidos, planejamento da sequência diária, semanal e mensal de tratamento, períodos de descanso/repouso, preferências da criança e o envolvimento familiar.

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Tela do plano de tratamento curto, médio e longo prazo de todas as especialidades.

No software do método NeuroStimulus, o terapeuta indica os objetivos de curto, médio e longo prazo por área de atuação. Entende-se como curto 3 meses, médio 6 meses e longo 1 ano. Na sequência, após uma discussão interdisciplinar aponta qual o objetivo geral do tratamento e apresenta ao paciente ou responsável. Conforme estabelece a ABRAFIN em parecer: o tratamento intensivo deve incluir estratégias de tratamento bem abrangentes, determinada de acordo com os objetivos terapêuticos a curto prazo e longo prazo, as preferências do paciente e o envolvimento familiar (DUMAS et al., 2017).

Planejamento das Sessões


No software do Programa NeuroStimulus, o terapeuta vai se deparar com inúmeros exercícios para planejar a sessão do paciente.

Serão apresentados os mais adequados ao paciente, de acordo com a sua necessidade ou objetivo funcional, conforme os dados obtidos na anamnese e na avaliação. NeuroStimulus

O terapeuta irá planejar o atendimento do paciente, ordenando e estabelecendo o tempo de cada atividade que estará disponível inclusive no celular do terapeuta.

NeuroStimulus

Conforme dispõe a Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional (ABRAFIN): o fisioterapeuta o único profissional da saúde habilitado a prescrever a conduta fisioterapêutica dos seus pacientes, cabe a este profissional escolher os métodos, técnicas e recursos a serem utilizados com cada um de seus pacientes, no momento que julgar mais apropriado, visando facilitar os ganhos funcionais. A cinesioterapia intensiva, associada ao feedback aumentado, estímulos sensoriais, atividades lúdicas e motivadoras, são a chave para um tratamento de sucesso. Não podemos obviamente excluir a importância da família e as preferências dos pacientes neste processo.

Evolução


No método NeuroStimulus após induzir no paciente o tratamento, o terapeuta deve fazer obrigatoriamente a evolução cinético funcional conforme determina o COFFITO.

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Tela de evolução gerada automaticamente pelo sistema.

Usando o software, o terapeuta documenta a sessão realizada por meio do celular, tablet ou computador.

Reavaliação


O método NeuroStimulus indica reavaliação do paciente de três em três meses.

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Tela de reavaliação.

Com a ajuda do software é possível verificar a evolução dele, possibilitando alteração ou intensificação do tratamento. Inclusive comparando os dados da avaliação com os das reavaliações.